67% dos profissionais de marketing com deficiência avaliam que o setor não oferece oportunidade de ingresso e desenvolvimento profissional no Brasil

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Estudo “Marketing e profissionais com deficiência: desafios e necessidades sobre acessibilidade” deu origem a um ebook gratuito com dados, depoimentos de profissionais e exemplos de boas práticas de acessibilidade e inclusão

Com o objetivo de mapear a acessibilidade de profissionais de marketing com deficiência no Brasil, a RD Station (RD), líder no desenvolvimento de software para marketing e vendas, a Talento Incluir, consultoria que promove a relação entre profissionais com deficiência e o mercado de trabalho; o movimento pela acessibilidade  digital Web Para Todos; a Digital House, uma das principais escolas com foco no desenvolvimento de habilidades digitais e a ABRADI (Associação Brasileira dos Agentes Digitais) acabam de realizar a pesquisa: “Marketing e profissionais com deficiência: desafios e necessidades sobre acessibilidade”. O estudo constatou que 67% dos profissionais de marketing com deficiência entrevistados avaliam que o setor não oferece oportunidade de ingresso e desenvolvimento profissional no País.

O estudo também apontou que a comunicação digital das empresas em geral não está preparada ou não se preocupa em ser mais inclusiva. Para 43% dos entrevistados, a falta de conhecimento é a principal razão para a ausência de conteúdos mais acessíveis elaborados por empresas. Outros 30,9% responderam que as organizações  acreditam não ser necessário o desenvolvimento de materiais acessíveis como sites, ebooks, lives, blog posts e outros.

Entre as ferramentas para acessibilizar os conteúdos, as legendas foram apontadas como a principal necessidade por 51,8% dos entrevistados. Sobre como a ausência de acessibilidade impacta no desenvolvimento profissional, 30,1% acreditam que isso prejudica a agilidade, pois o consumo de material torna-se mais demorado. Outros 14,5% afirmam que precisam investir muito esforço para criar as próprias ferramentas para trabalhar e acessar conteúdo.

A pesquisa, que será apresentada durante o Hostel by RD Summit, evento online organizado pela RD Station, coletou dados de 250 profissionais com deficiência que atuam na área de marketing sobre suas necessidades específicas de consumo e criação de conteúdo, assim como suas condições de acessibilidade no ambiente de trabalho.

Ao ignorar este público, as empresas ignoram leis e vantagens de trabalhar com pessoas com deficiência. Além de humanizar a imagem da companhia com público interno e externo, as pessoas com deficiência abrem novas possibilidades e visão de negócios. Elas também podem ser a ponte para criar produtos e conteúdos mais acessíveis.

“Quando as empresas têm mais acessibilidade, atraem e impactam mais pessoas, mostrando com atitudes a importância da inclusão. Dessa forma, o resultado só pode ser positivo!”, afirma Carolina Ignarra, CEO e fundadora da Talento Incluir.

“Um gestor que não considera acessibilidade não está errando apenas do ponto de vista humanitário, ele não está tomando as melhores decisões para a empresa ser lucrativa ao ignorar quase um quarto de toda a população brasileira”, reforça Edney Souza, diretor acadêmico da Digital House.

“As marcas precisam entender que podem se relacionar com muito mais pessoas se adotarem práticas simples de serem implementadas, como descrever as imagens de seus produtos e inserir, por exemplo, um avatar de Libras em seu site.”, Simone Freire, idealizadora do Web para Todos.

As conclusões da pesquisa deram origem a um e-book. O material gratuito traz um panorama com os números gerais de pessoas com deficiência no Brasil e lista quais algumas das principais iniciativas de inclusão e acessibilidade no país.

Mercado de trabalho das pessoas com deficiência durante a pandemia

A participação de pessoas com deficiência no mercado formal diminuiu durante a pandemia do novo coronavírus. De janeiro a setembro de 2020, o saldo de empregos para pessoas com deficiência* ficou negativo em 21,7 mil. Isso significa que, enquanto 51,9 mil pessoas com deficiência foram contratadas, 73,5 mil foram desligadas neste período. Desinformação e falta de recursos de acessibilidade para receber pessoas com deficiência são alguns fatores que explicam a baixa contratação. Embora a legislação preveja a contratação de pessoas com deficiência por parte das empresas, apenas 1% da população com deficiência está empregada formalmente.

*  levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged)

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