Por Carlos Ávila*

Não há dúvidas de que a internet mudou a realidade da maior parte do mundo. A globalização, inclusive, é um fenômeno que foi ainda mais acentuado com o advento da internet, quando ocorreu um grande fluxo de troca de ideias e informações sem precedentes na história da humanidade. A integração econômica, social, política e cultural, por exemplo, se tornou mais fácil de acontecer.

Chega a ser assustador como, atualmente, existe uma facilidade enorme em adquirir produtos de países muito distantes, como China e Japão, algo que parecia impossível anos atrás. A cada dia que passa, estamos mais conectados com o que está distante de nós. Mas, quando pensamos no que está próximo, o fenômeno é justamente o contrário: estamos cada vez mais distantes.

No passado, cada domicílio tinha apenas uma TV e um telefone fixo – quanto tinha. Hoje é até comum que cada membro da família tenha sua própria TV, computador e celular. Isso fez com que, obviamente, as pessoas se fechassem em seus próprios mundos virtuais. A cada dia, a integração entre famílias, amigos e, consequentemente, entre os vizinhos, é menor. É muito raro aqueles que conhecem quem mora ao lado, o que fazem da vida, se vendem ou prestam algum serviço diferenciado.

Pensando neste cenário e como ele impacta a vida de todos, é quase impossível ter um negócio totalmente offline. Mesmo que seja um profissional autônomo e que venda bolos de pote, por exemplo, estar presente na internet contribui para que suas vendas sejam maiores. É por isso que muitos pequenos negócios acabam recorrendo às famosas redes sociais, como WhatsApp e Facebook, para iniciar uma divulgação. Mas, no fim, acabam chegando a um ponto em comum: ficam limitados à sua rede de contatos e não conseguem atingir mais pessoas. As vendas crescem até um certo ponto e simplesmente ficam estagnadas.

No caso desses pequenos profissionais, nem sempre existe uma verba que pode ser destinada à divulgação e marketing digital e, justamente por isso, se torna complicado sair do lugar. Costumo chamar essas pessoas de ‘invisíveis digitais’, ou seja, profissionais que não conseguem ter presença na internet além do básico.

A pandemia causada pelo novo coronavírus e a crise econômica que chegou com ela, com tantos comércios fechando as portas e o desemprego aumentando, permitiram um movimento para estimular o comércio de bairro e ajudar o pequeno empreendedor. Sem dúvidas, em momentos de crise, ajudar o pequeno e fomentar o comércio local pode ser o caminho ideal para evitar um caos ainda maior.

Por incrível que pareça, foi uma pandemia de dimensões mundiais, que nos fez aderir ao isolamento social e começar a olhar para o que estava tão próximo de nós e não conseguíamos enxergar. Não são raras as pessoas que contam que, pela primeira vez, compraram o bolo de um vizinho, ao invés de uma grande rede, por exemplo. E aqueles que começaram a conversar mais com as pessoas queridas, mesmo que por telefone ou videochamada? O isolamento fez com que muita gente sentisse vontade de estar próxima.

Foi esse mesmo isolamento social que garantiu que novos negócios surgissem e tivessem um crescimento acelerado. Foi em meio ao caos e à crise que muitas pessoas começaram a trabalhar para melhorar a vida do próximo e tiveram novas ideias para empreender. Muito empresários precisaram, de maneira muito rápida, se adaptar ao novo normal: de acordo com uma pesquisa feita pelo Sebrae, que analisou o impacto da pandemia nos pequenos negócios, o coronavírus mudou o funcionamento de, pelo menos, 5,3 milhões de pequenas empresas no Brasil.

São inúmeros os casos de sucesso de empresas que nasceram ou se reinventaram neste momento de pandemia. Mesmo com a reabertura dos comércios em alguns estados brasileiros, é fato que ainda estamos nos adaptando ao tão falado ‘novo normal’. Nesse sentido, ainda há oportunidades – e sempre haverá – para novas ideias e novos empreendimentos. Um mercado aquecido é sinônimo de crescimento, e isso é bom para todos os brasileiros.

Apesar do momento difícil e complicado vivido em todo o mundo, acredito que vamos sair deste cenário ainda melhores – como profissionais, claro – mas, ainda mais, como seres humanos. Por mais difícil que possa parecer, podemos tentar olhar para as dificuldades como uma nova chance de nos reinventarmos.

Pensando pelo lado do empreendedor, posso te afirmar, com toda a certeza, que sei das dificuldades que podem surgir no caminho de quem está tentando inovar, colocar em prática uma nova ideia. Abrir uma empresa, ter o seu próprio negócio, definitivamente é um desafio que pode ocupar praticamente 100% do seu tempo. Mas eu, honestamente, acredito que o primeiro passo é tirar o sonho do papel. Foi o que eu fiz. E é o que eu te encorajo a fazer. Dê o start, comece a empreender e tenha fé em um futuro melhor para você, sua família e seu país.

*Carlos Ávila é fundador do MeuVizinho.me, a primeira rede social de consumo local do Brasil

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