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    Abandonado ainda bebê, empresário fatura hoje R$ 216 milhões

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    Ser abandonado em uma caçamba ao lado da maternidade minutos após ter nascido não é um bom começo. Porém, Alex Araújo não pensa assim. “Prefiro pensar que fui escolhido por meus pais adotivos”, diz ele. Aos 41 anos, Araújo é dono da 4Life Prime, empresa que fatura R$ 216 milhões.

    Ainda bem que era hora do almoço e não tinha ninguém trabalhando na obra. Ou eu não estaria aqui para contar a minha história, estaria morto.” Essa foi a primeira de muitas vitórias de Alex. Em sua trajetória repleta de desafios, ele superou as adversidades que a vida lhe apresentou e tornou-se um empresário bem-sucedido.

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    A família que o acolheu era humilde, mas nunca deixou faltar o básico para Alex e seus quatro irmãos de coração. Sua infância foi vivida na capital paulista e adolescência em Sorocaba, no interior de São Paulo. No regresso a capital com a família, para trilhar sua história Alex perde sua referência, seu pai faleceu.  “Nunca fui um bom aluno. Estudei em escola pública até completar o colegial (hoje ensino médio), repeti de ano duas vezes antes de conseguir me formar.” Ao completar 18 anos e agora sem o pai, tem novos caminhos a percorrer.

    O que Alex não sabia é que algo forte, capaz de mudar a sua vida de todas as formas, estava prestes a acontecer: ele descobriu sua vocação para vendedor e empreendedor. Seu primeiro trabalho foi cavando buracos para instalações de redes elétricas, depois foi para uma indústria de sucos, na área comercial. Em poucos meses, já era o responsável pela carteira de clientes corporativos da marca.

    Não contente com o salário e tomado pelo potencial que aflorou dentro de si, inflado pelo desejo de crescer e estimulado pela esposa, ele foi trabalhar como gerente de contas de pessoas físicas no antigo Banespa, atual Santander. Trabalhou na instituição por seis anos e, em todo o seu ciclo, ocupou o primeiro lugar em vendas, competindo com mais de 6 mil gerentes em todo o país. Nesta época, com apoio que tinha do banco, cursou faculdade de Recursos Humanos e, depois, de Administração de empresas.

    Um de seus clientes, então proprietário de uma empresa de saúde ocupacional, vendo o potencial empreendedor de Alex, o convidou para ocupar um dos cargos de gerente na companhia, que não estava muito bem e precisava de uma energia renovadora. Alex novamente topou o desafio e, em menos de um ano, aumentou o faturamento da empresa em 50%. Passou de gerente a diretor geral, potencializando ainda mais os negócios e as carteiras de clientes. Há 4 anos, ele comprou a empresa de seu antigo chefe e rebatizou a companhia como 4Life Prime.

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    Em menos de oito anos – uma trajetória relâmpago – ele passou de gerente, ganhando R$ 8 mil/mês, para empresário, com faturamento de R$ 18 milhões/mês. Seu segredo: transformar o que o mercado comprava como “normas e leis” em “atendimento personalizado e consultoria de negócios em saúde”.

    Nos últimos três anos, o faturamento da empresa decolou. Em 2020, registrou R$ 11 milhões/mês, fechando o ano com R$ 132 milhões. Em 2021, enquanto seus concorrentes sofriam com a pandemia de Covid-19, a 4Life Prime saiu na frente e implantou um programa de testes para a doença, importando dezenas de contêineres com material para testagem.

    Com isso, a empresa subiu seu faturamento para R$ 15 milhões/mês. No auge da pandemia, conseguiu importar 18 contêineres para atender a demanda. “Cheguei a abrir mão de imóveis para gerar recursos para a compra de testes do Covid-19. Não me arrependo. Às vezes, é preciso ter desprendimento material para alcançar objetivos. E eu alcancei”, analisa o empresário.

    As apostas arriscadas de Araújo fizeram a empresa de saúde ocupacional, que hoje é conhecida como 4Life Prime, chegar a ter 573 funcionários e 3 mil clientes, atendendo cerca de 700 mil pessoas. O faturamento anual está ao redor de R$ 216 milhões.

    O empresário conta que sua estratégia é transformar em consultoria e atendimento personalizado o que o mercado costumava considerar apenas uma obrigação. “A saúde nunca vai acabar e eu acredito que esse mercado ainda não foi explorado”, diz ele. Outro ponto forte é concentrar os esforços em companhias multinacionais para reduzir a inadimplência.

    Em 2022, a 4Life vem faturando, em média, R$ 18 milhões/mês, com projeções para novembro e dezembro de R$ 19 milhões por conta dos exames periódicos de final de ano, que aquecem o segmento de saúde ocupacional. “Amo meu trabalho. Acordo cedo todos os dias, cumpro minha agenda de reuniões, prospecções, atendimentos e só finalizo meu dia quando risco todos os meus compromissos da agenda”, conta Alex. 

    “Tenho uma equipe valorizada e motivada diariamente, este é o segredo do meu negócio. Humanizar relações, premiar os destaques e mostrar que cada um pode ser dono de sua história. Não busco coadjuvantes, quero que cada um aqui, seja protagonista da sua caminhada”, explica.

    Agora, com a 4Life Prime consolidada, Alex aposta no esporte, mais especificamente na gestão de carreira de jovens jogadores de futebol. Também é sócio de uma produtora de conteúdo para mídias sociais focada em celebridades e personalidades. Sua agenda é dividida entre reuniões de suas empresas e viagens. Na mais recente, ele esteve em  Dubai para negociar a venda de jogadores de seu portfólio.

    Para Alex, o conceito de saúde ocupacional no Brasil ainda requer mais atenção tanto das empresas privadas como do setor público. “O pensamento geral é de que saúde do trabalho se resume a exames admissionais e demissionais. Isso não é verdade. O mercado evoluiu e nós oferecemos um pool de serviços para empresas que vai de exames laboratoriais até consultas com psicólogos, campanhas de vacinação, avaliação ergonômica e de risco laboral, treinamentos de brigada de incêndio, primeiros-socorros e muito mais”, explica.

    “Quando eu comento com alguém que minha empresa vai crescer 63% em um ano no qual a economia está em recuperação e os juros altos, muitos desacreditam. Mas quando eu sento e explico como vou crescer agressivamente, aí a história muda de contexto. Sair na frente é tornar-se referência, os que vem depois vão copiar o que deu certo e, quando isso acontece, já estou pensando em inovações novamente”, explica o empresário.

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