Protótipo chamado Avatar foi desenvolvido pelos cursos de Engenharia Elétrica e Engenharia Mecânica da Unoeste

Uma das características do novo coronavírus é o seu poder de transmissão. Justamente por isso o mundo ficou em alerta e, até o momento, a recomendação é manter o distanciamento social e seguir as orientações de higiene para evitar o contágio. Neste cenário, os profissionais da saúde, que estão na linha de frente da pandemia, se tornaram alvos dessa doença. Para ajudar a minimizar essa situação, os cursos de Engenharia Elétrica e Engenharia Mecânica da Unoeste desenvolveram um robô de telepresença, com o propósito de oferecer atendimento médico e ao público de maneira segura, principalmente em unidades hospitalares. O protótipo foi apresentado nessa quarta-feira (22) e o próximo passo é levá-lo às instituições que podem ser beneficiadas com a tecnologia.

A ideia do robô surgiu logo no início da pandemia, conforme lembra o coordenador das graduações, professor César Daltoé Berci. “Quando nos reunimos para pensar numa ação que poderia contribuir neste momento, tivemos a ideia de desenvolver uma tecnologia que fosse útil no enfrentamento da crise. E esse tipo de robô, dentro de um ambiente hospitalar, pode reduzir o risco de contaminação entre pacientes e profissionais da saúde”.

César explica que esse primeiro protótipo é chamado de prova de conceito, no qual os criadores entendem melhor o sistema desenvolvido e as tecnologias, para, depois, começar a desenvolver modelos específicos, de acordo com cada necessidade. Ele conta que este robô, batizado de Avatar, teve um custo aproximado de R$ 4 mil, sendo considerado de baixo custo justamente pelo seu benefício. “Antes do projeto fizemos uma pesquisa e existem empresas europeias que vendem o serviço, então eles alugam o robô pelo valor de U$ 6 mil por mês, em média”, comenta.

O desenvolvimento do protótipo teve o envolvimento de alunos e funcionários, e a equipe utilizou como base as confecções já desenvolvidas pelos cursos, como nas Batalhas de Robôs, projeto tradicional nestas graduações. “A partir daqueles modelos e hardwares que tínhamos, aproveitamos alguns circuitos eletrônicos e conseguimos chegar neste. Tudo desenvolvido nos laboratórios da universidade, inclusive as peças de plástico do Avatar foram fabricadas pela impressora 3D da instituição”, salienta.

De acordo com o professor César, a telepresença encontra atualmente objetivos distintos em diversas áreas e para o projeto em questão, os principais estão ligados ao atendimento médico, atendimento ao público e ainda outras atividades, como aulas remotas.

Henrique Claro Xavier, 19 anos, aluno do 4º termo de Engenharia Mecânica, conta que sempre gostou da área de robótica, por isso se diz muito feliz em estar envolvido neste projeto e ver o resultado final. “Conseguimos aplicar tudo que aprendemos na teoria. No começo parecia algo complicado, mas depois vai ganhando forma e no final parece até fácil. Ficamos três meses, dia após dia neste desenvolvimento, e ver pronto, sabendo que poderá ajudar em diversas áreas, e perceber também a relevância da nossa área da engenharia, é muito gratificante”, frisa.

Nessa quarta-feira (22), o Avatar foi apresentado para funcionários e para os pró-reitores Guilherme de Oliveira Lima Carapeba (Administrativo), e José Eduardo Creste (Acadêmico), os quais elogiaram a iniciativa. Na ocasião, foi feito um teste, sendo que o robô ficou no hall principal de entrada do B3 para o atendimento remoto de uma pessoa, enquanto outra pessoa ficou na sala de comando localizada em outro andar, ou seja, em uma distância considerável confirmando a funcionalidade pretendida do equipamento.

Parte da equipe que desenvolveu o Avatar com os pró-reitores Guilherme Carapeba e José Eduardo Creste / Foto: Mariana Tavares

Detalhes

Trata-se de um robô de telepresença simples e de baixo custo. O objetivo é promover acesso remoto a pacientes através de um equipamento suficientemente flexível, que possibilite ao operador ver, ouvir e interagir remotamente. Sua locomoção é baseada em dois motoredutores, de alto torque e baixa velocidade e utiliza três pontos de apoio, o que possibilita a locomoção por superfícies levemente irregulares.

O robô tem conectividade wifi, podendo ser acessado remotamente, inclusive através da internet. Foi desenvolvido um aplicativo de controle remoto para que o operador possa operar a movimentação do robô. O tablet no topo será responsável por transmitir e receber imagens e som. Ele está montado sobre uma plataforma articulada motorizada, que pode ser controlada também através do aplicativo, possibilitando ao usuário uma grande flexibilidade. A central de controle possui sensores ultrassônicos para evitar colisões com objetos que, por ventura, estejam fora do campo de visão da câmera do tablet.

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