sexta-feira , 17 maio 2024
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Da miopia à capacidade protetiva

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Por Dionaldo Passos

A crise econômica e o isolamento social provocados pela pandemia do novo coronavírus estão acelerando a adoção de novas práticas, hábitos e tecnologias. Ainda assim, os impactos dessas mudanças serão diferentes em diversas classes. Algumas darão mais valor ao espaço familiar, devendo investir em conforto e no convívio. Poderão até mesmo tornar o home office um hábito recorrente. Para outros grupos, o impacto recairá na valorização do essencial, levando a que se repense hábitos de consumo. O clichê ‘preciso realmente disto?’ vai se tornar mais comum.

Nesse sentido, pelo que se vê até agora, é factível dizer que deverá haver transição de uma época marcada pelo individualismo e miopia em relação à convivência e ao uso de recursos para outra que pode ser resumida pela palavra “provisão”. Ou seja, a consciência de que não se pode levar ao limite os nossos recursos vem ganhando espaço. E isso também significa que, sem termos capacidade protetiva, sempre estaremos no fio da navalha. É preciso, então, haver provisão para situações emergenciais.

Em consequência dessa alteração de percepções e de hábitos, com a adoção de novas práticas e tecnologias, as mudanças serão mais profundas em alguns setores da economia. Notadamente em saúde, tecnologia, varejo e logística. No setor de saúde, por questões óbvias, haverá demanda por melhores estratégias e infraestrutura para combate a epidemias. Um país, na posição em que estamos e com a magnitude que possuímos, realmente precisa disso – o que pode ser oportunidade para atrair investidores externos.

No caso do comércio, como é óbvio, o varejo físico foi severamente impactado pelo isolamento. Ter uma estratégia de canal de vendas on-line é fundamental, não apenas como alternativa à venda tradicional, mas também para superar crises como esta. Crise que, aliás, forçou o consumidor a experimentar de maneira mais constante o consumo virtual. É possível afirmar que se criou um hábito que está formando uma massa relativamente grande de “novos consumidores”.

Em relação à logística, a crise deu um forte impulso à etapa final (ou last mile), ao transporte em que a mercadoria vai do centro de distribuição para o cliente final. Ter o que se quer na porta de casa se tornou necessidade tanto para quem consome quanto para quem precisa vender. Há muito espaço para melhorias da logística nesse sentido. Com empresas investindo mais nesse elo, certamente as experiências de consumo se tornarão ainda mais agradáveis. Em consequência, deverá haver aumento da atividade mesmo depois da crise.

Outro ponto a se destacar é que ter uma tecnologia ágil e dinâmica foi essencial para a resiliência de muitos negócios durante a crise. Os inúmeros casos de sucesso, mantendo em funcionamento uma organização durante o isolamento social, mostraram a importância de uma tecnologia flexível e com rápida capacidade de reação.

Resta-nos trabalhar para que realmente tenhamos um admirável mundo novo pela frente.

*Dionaldo Passos é CEO da Navita, líder em serviços gerenciados de mobilidade, TI e telecom. [email protected]

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