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    Desigualdade entre pretos e não pretos aumentou no mercado de trabalho no último ano, aponta pesquisa

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    Segundo estudo divulgado pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) pretos e não pretos se inserem de forma distintas no mercado de trabalho e os indicadores confirmam a diferença. A pandemia de covid-19 afetou todos os trabalhadores, mas os impactos foram mais intensos sobre os pretos, seja pela dificuldade que essa população enfrenta para encontrar colocação ou pela necessidade de voltar antes ao mercado de trabalho, devido à falta de renda para permanecer em casa, protegida do vírus.

    Os dados revelam que 8,9 milhões de homens e mulheres saíram da força de trabalho – perderam empregos ou deixaram de procurar colocação por acreditarem não ser possível conseguir vaga no mercado de trabalho. Desse total, 6,4 milhões eram pretos ou pretas e 2,5 milhões, trabalhadores e trabalhadoras não pretos.

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    A comparação do volume da força de trabalho do 2º trimestre de 2021 com o mesmo período de 2020 mostra que a força de trabalho preta cresceu 3,8 milhões (1,79 milhões de homens e 1,97 milhões de mulheres). Já entre os não pretos, o aumento foi de 2,3 milhões (963 mil homens e 1,38 milhões de mulheres). Porém, quando se compara 2021 com o 1º trimestre de 2020, antes da pandemia, nota-se que parcela expressiva de pretos não voltou para a força de trabalho: 1,1 milhão de pretas e 1,5 milhão de pretos.

    O número de pessoas que perdeu postos de trabalho por causa da crise sanitária, na sua primeira e segunda fases, foi de 8,8 milhões. Desses, 71,4% ou 6,3 milhões eram pretos: 40,4%, mulheres e 31%, homens. O impacto da pandemia foi maior para os colaboradores pretos.

    Para os pretos, a taxa de desemprego é sempre maior do que a dos não pretos. Enquanto para os homens pretos, ficou em 13,2%, no 2º trimestre de 2021, para os não pretos, foi de 9,8%. Entre as mulheres, a cada 100 negras na força de trabalho, 20 procuravam trabalho, proporção maior do que a de não negras, 13 a cada 100.

    Considerando apenas os subocupados, que são aqueles que trabalham menos de 40 horas semanais e que gostariam de ter uma jornada maior, a proporção de pretos (8,4%) e pretas (13,5%) superou a de não pretos homens (5,0%) e mulheres (8,2%), no 2º trimestre de 2021.

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    Depois do início da pandemia, sem que a vacinação tenha atingido 100% da população, o mercado de trabalho seguiu cambaleando, em sintonia com a economia que não cresceu: o assalariamento sem carteira no setor privado (16,0%), o trabalho doméstico sem carteira (14,9%), o trabalho por conta própria (14,7%) e o trabalho familiar (8,7%) foram os que mais se ampliaram. Para as mulheres pretas, o emprego no setor público com carteira cresceu quase 20,0%; o trabalho doméstico sem carteira aumentou 16,8%; e o conta-própria, 15,8%. Para o homem preto, houve elevação do assalariamento sem carteira no setor privado (23,4%) e do trabalho por conta-própria (13,5%).

    A informalidade foi crescente para todos os trabalhadores, pretos e não pretos, reflexo da desconfiança sobre o futuro do país e da ausência de rumo da economia brasileira. Sobre rendimentos, as médias também comprovam a desigualdade de remuneração por cor/raça. Enquanto homens e mulheres não pretos receberam em média R$ 3.471,00 e R$ 2.674,00 respectivamente, no 2º trimestre de 2021, trabalhadores pretos ganharam R$ 1.968,00 e trabalhadoras pretas, R$ 1.617,00.

    Com o avanço da imunização, os níveis de ocupação de negros e não negros começaram a crescer. Entretanto, é possível observar que quase 40% dos negros que antes estavam na força de trabalho ainda não voltaram ao trabalho.

    “É necessário um plano para fortalecer as ações de combate ao racismo estrutural e equilibrar a diversidade racial dentro e fora das empresas, por isso é essencial avaliar as estruturas que os impedem de chegar a esses lugares. A necessidade de reparação histórica à comunidade negra, assim como as vantagens de se ter um time diverso têm sido cada vez mais compreendidas. Desse modo, muitas empresas começam a adotar políticas afirmativas com  objetivo de reduzir a desigualdade racial e o acesso às oportunidades”, afirma Tábata Silva, gerente do portal Empregos.com.br.

    Exemplo dessa mudança, é  a iniciativa Mover, fundada em novembro de 2020 O Movimento pela Equidade Racial é formado por empresas que assumiram juntas o compromisso de aumentar a participação de profissionais negros; Atualmente,  reúne mais de 40 empresas, entre elas a Ambev, Coca-Cola, Magalu, Nestlé e Vale, e tem a meta de gerar 10 mil novas posições para pessoas negras em cargos de liderança até 2030.

    “Esse tipo de iniciativa é fundamental para que seja garantido, ao longo de todo o ano, a inclusão dessas pessoas em cargos importantes para a tomada de decisões. Além da questão humana e social, investir na inclusão da diversidade étnico-racial também é uma estratégia de negócios, pois torna a empresa referência ao adotar uma cultura voltada para a pluralidade”, diz Tábata.

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