Digitalização na saúde e a importância da atualização da infraestrutura tecnológica

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*Por Rodrigo Ferreira

O que mais se ouve nos dias de hoje é que a pandemia acelerou o processo de digitalização das empresas. Isso iria acontecer em algum momento, mas teve de ser antecipado, pois boa parte da população se manteve em casa cumprindo as regras de isolamento para evitar contaminação pelo coronavírus. Então, quem não comprava nada pela internet passou a comprar. Empresas que não realizavam o home office adotaram o modelo que deve se tornar permanente em muitas corporações. Enfim, a tecnologia da informação passou a fazer parte do cotidiano de praticamente todas as pessoas.

O varejo é frequentemente lembrado como ramo que soube aproveitar muito bem a tecnologia para vender a distância. Mas não é o único que merece ser destacado. O setor de saúde também foi impactado positivamente. A telemedicina é um bom exemplo. Apesar de ainda não estar regulamentada, foi autorizada em caráter de urgência como forma de reduzir os riscos de pacientes contraírem a doença nos próprios consultórios. Mas o avanço tecnológico na saúde não se limita a isso. Por causa do risco de contaminação e nos períodos de lockdown, pacientes deixaram de ir não só a consultórios, mas também às farmácias. Representantes de vendas das indústrias farmacêuticas deixaram de visitar clientes como hospitais, drogarias, clínicas e laboratórios de análises.

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Ora, como manter firme a relação e o fluxo de negociações entre indústria, distribuidor e varejista sem a presença humana? Como fazer descontos e promoções chegarem ao consumidor final que não entra mais no ponto de venda? Imaginem uma situação em que um cliente compra medicamentos pela internet, mas, por não poder esperar, opta por retirar em um ponto de venda. Se o sistema não for bem desenvolvido e não funcionar em tempo real, há o risco de não haver o produto no estabelecimento quando a pessoa for buscar.

É algo que não pode acontecer, e o aperfeiçoamento das plataformas on-line foi a resposta do segmento para que as transações dentro da cadeia ocorressem de forma rápida e segura. Porém, é preciso considerar que todas essas mudanças trouxeram uma nova realidade para as empresas, que é a velocidade com que os negócios são realizados. Ficou tudo muito rápido. A logística evoluiu de tal forma que o tempo de entrega de pedidos, seja para empresas, seja para o consumidor final, diminuiu consideravelmente.

Por isso, é preciso estar alerta. Não basta incluir um canal digital para atender à demanda on-line. Além da mudança de cultura, a jornada digital necessita da modernização da própria infraestrutura tecnológica que a mantém em funcionamento. Não se preocupar com isso é como adquirir um software moderno e instalá-lo em um computador antigo. Quando menos se espera, ele trava e coloca em risco todo um trabalho. E as empresas do segmento de saúde precisam estar atentas a isso. Claro, o grau de investimento depende do porte de cada companhia.

Uma solução é a migração dos sistemas para a nuvem (cloud). Um caminho interessante, mas que exige bastante planejamento para dar certo. A jornada cloud tem de ser implantada por etapas, e isto pode ser feito de diferentes formas de acordo com as características de cada sistema. A mais usual é iniciar pela transferência das aplicações para a nuvem do jeito que estão (as is). A questão é que existe o mito de que esse movimento sai mais barato do que a ampliação da infraestrutura física. Não é verdade. O custo é igual ou maior, mas compensa porque traz benefícios futuros. Depois de transferido, vem  a adequação dos sistemas,  aproveitamos ao máximo todos os benefícios oferecidos pela nuvem.

Com isso, a empresa vai ganhar em flexibilidade, escalabilidade e segurança. Imagine o trabalho que é ampliar um data center, por exemplo, cuja capacidade está perto de se esgotar. Tem-se de cotar preços de equipamentos, fazer o pedido, esperar a entrega, implantar e testar antes de começar a operar. É um processo lento que não atende ao fenômeno da digitalização que imprimiu velocidade aos negócios. Uma vez na nuvem, qualquer necessidade de ampliação pode ser feita em um piscar de olhos. Claro que essa expansão também tem custos que precisam ser sempre avaliados e controlados. Mas a velocidade de execução e a facilidade de dimensionamento são vantagens que potencializam os ganhos das empresas.

A digitalização é uma viagem sem bilhete de volta e a nuvem é o futuro. A cadeia farmacêutica/hospitalar é muito relevante, não pode deixar de aproveitar os benefícios que o futuro traz. Afinal, os meios físicos jamais serão tão velozes quanto os virtuais.

*Rodrigo Ferreira é gerente da área de TI da InterPlayers, hub de negócios da saúde e bem-estar – [email protected]

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