Com a aproximação do final da eleição americana e possível vitória do democrata Joe Biden, o cenário das negociações dos pares de moedas já está mudando rapidamente. Desde o dia 4 de novembro, o volume de negócios em todo o mundo teve um aumento significativo de volatilidade e novas posições – bancos, gestores e investidores aumentaram a exposição das moedas, segundo a trading britânica, Infinox Capital.

“O real pelo dólar teve uma queda de quase 5% em apenas dois dias, já o dólar pelo euro gerou uma das sessões mais voláteis na B3, chegou a ser cotado a 1.1600 pontos e finalizou o dia perto de 1.1720 pontos”, explica o executivo da Infinox, Victor Hugo Cotoski.

Diante dessas movimentações vale ressaltar que para que o EURUSD se movimente um centavo, é necessário um volume muito alto de centenas de bilhões de dólares, portanto, já há um aumento na demanda por outras moedas, como iene japonês, euro e libra esterlina.

“A média de negociação por dia em euro por dólar na CME, a maior bolsa de futuros nos Estados Unidos, foi de US$ 65 bilhões, e apenas ontem (05/11) foram negociados US$ 262 bilhões, cerca de 4x mais do que a média do mês inteiro na bolsa”, explica Cotoski.

Se Biden for presidente: como fica o mercado econômico?

O mercado de ações pode ser o mais afetado, pois novos impostos poderão ser estipulados para as empresas de tecnologia. Além disso, leis mais severas e mudanças nos tratados climáticos podem contribuir negativamente para o futuro panorama econômico global.

“As bolsas de valores não irão sofrer grandes mudanças nos ciclos, devido as novas empresas de tecnologia que são responsáveis pelas altas, pois estamos em um ciclo de alta e de muita liquidez no mercado. Neste momento, o dólar pode sofrer uma valorização, caso o fator de risco diminua com o passar do tempo”, explica o executivo da Infinox.

Commodities

Uma das estratégias do democrata é renovar a energia nos Estados Unidos, considerada uma as commodities mais importantes no ambiente americano, tornando-a limpa de 20 a 30 anos, com um super pacote para a renovação e investimento de tecnologia em energia solar e eólica no país.

Para Cotoski, essa proposta do Biden pode interferir diretamente no preço do petróleo, mas em longuíssimo prazo. Porém, vale levar em consideração que se ele ficar por 8 anos no poder e dar sequência nesse tipo de projeto, podemos ter o preço do barril de petróleo afetado.  “Só veremos o preço lá em cima após uma forte retomada da economia, aeroportos cheios, navios em alta demanda, produção industrial puxando, etc.”, acrescenta.

Mercado de moedas pós-eleição

Há uma série de fatores que podem contribuir para o cenário econômico após o término das eleições americanas, entre elas os primeiros pronunciamentos e decisões do novo presidente, como um novo “lockdown” e o desenvolvimento da vacina da covid-19.

“É possível considerar que o mercado sempre irá para o lado com menos riscos, porque o principal ponto de volatilidade no mercado de moedas são as indecisões e crises, cenário atual que estamos vivenciando. Portanto, como todo ciclo de crises econômicas, acredito que o dólar deve continuar a se fortalecer, perante a Europa e os países emergentes, como o Brasil”, comenta Sam Chaney, responsável pela expansão global do grupo Infinox.

Outubro: como foram as negociações dos contratos futuros

A última semana de outubro foi surpreendente com um aumento significativo de mais de 500% em todos os pares de moedas em algumas sessões, que a Infinox atua como formadora de mercado, quando comparado a outros os dias do mês. No dia 29/10, o par EURUSD (EUP) teve cerca de 10.637 contratos negociados. Já na semana anterior, em 19/10, o mesmo par registrou 3.256 contratos.

“Comparando a setembro, o volume foi de 20% a mais em todos os pares de moedas na semana passada, considerando a liquidez e as expectativas nas eleições americanas”, comenta Chaney.

Os dois últimos meses do ano devem ser marcados por novos recordes de negociações em todo território brasileiro. Além disso, os resultados das economias devem movimentar também o mercado de câmbio, considerando um ano atípico, por conta do novo coronavírus.

“Todos os pares de moedas devem sofrer um tipo de volatilidade. Apenas o minicontrato de dólar da B3, conhecido como WDO, que deve se diferenciar, pois esse é responsável por gerar em média cerca de US$ 40 bilhões de negócios em apenas um dia. O mercado no geral está focado no dólar pelo real, gerando um enorme espaço para a negociação das demais moedas frente ao dólar como o EURUSD por exemplo.”, conclui  Cotoski.

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