Ex-PM troca farda por loja de acessórios para celular e vai faturar R$ 6 milhões em 2021

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Desde cedo, Francis Ferlin ouvia familiares e amigos dizerem que o sucesso profissional passava por um trabalho no setor público. Moradores de Campo Erê, município com 8 mil habitantes do Interior Catarinense, seus pais – que eram concursados – sempre reforçaram para o jovem que este seria o melhor caminho a ser trilhado.

Mas não era nisso que Francis acreditava. Era no empreendedorismo que o rapaz vislumbrava a trilha para alcançar a sonhada realização profissional e pessoal. Foi com essa ideia em mente que, com apenas 16 anos, ele decidiu criar um jornal para a cidade, na época sem nenhum – entre outras funções, o jovem vendia as publicações batendo de porta em porta. Um ano depois, Francis detectou outra oportunidade de empreendimento não explorada na região: a realização de festas para jovens. E passou a promover eventos voltados a este público.

No início, a família encarava as ideias do filho como um passatempo, uma forma de ganhar um dinheiro extra. Mas, para Francis, as iniciativas eram muito mais do que isso. “Sempre tive um perfil incansável e sabia que a vida ia além de Campo Erê”, relembra.

Quando chegou o momento de buscar uma faculdade, Francis mudou-se para Chapecó, onde começou a cursar Direito. Com o incentivo e a orientação do pai, além do estágio e da graduação, ele passou a estudar para o concurso da Polícia Militar. Em 2006, veio a notícia esperada pela família: a tão desejada nomeação para o cargo público.

Daquele momento em diante, Francis tinha conquistado estabilidade e o “salário garantido”. Só que ainda havia algo que o inquietava. “Sempre sentia que não era aquilo que queria para a minha vida”, conta.

Já casado com Monique Berticelli, veterinária que conheceu em Chapecó, Francis mantinha uma vida estável, controlando na ponta do lápis a renda familiar de R$ 6.500 mensais. Com disciplina, os dois economizam sempre que podiam e destinavam o que sobrava para quitar o apartamento financiado. Este era o plano, até o dia 1º de abril de 2016, data em que o policial militar foi ao supermercado e viu que um dos lojistas do local estava repassando o ponto de venda. Num bate-papo, decidiu comprar a loja.

“Era uma oportunidade imperdível. E cheguei em casa falando que tinha uma surpresa”, relembra.

Monique inicialmente acreditou tratar-se de uma brincadeira de 1º de abril. Só no dia seguinte, quando os dois foram visitar a loja ela finalmente entendeu que o casal  começava ali uma nova página de sua história. E assim surgiu a Itcase, rede especializada em acessórios para celular.

Inicialmente, Francis e Monique se revezavam entre a gestão da loja e as atividades profissionais que até então sustentavam a casa. Quando as coisas começaram a engrenar, Monique deixou o dia a dia veterinário de lado e assumiu 100% das rotinas da unidade. Já Francis, após cumprir a carga horária de seis horas no batalhão, ia direto para o caixa atender os clientes.

Apesar do início extremamente “amador” – o registro de vendas, por exemplo, era feito em um caderno –, em pouco tempo o negócio começou a registrar resultados expressivos. Em 2018, dois anos após a “ida ao supermercado”, o casal já estava abrindo a terceira loja.

Foi quando, mesmo a contragosto da família, Francis largou a carreira militar para se dedicar exclusivamente à expansão da marca. “Todo mundo me chamou de louco. Mas, em todas as histórias de grandes empresários que li, tinha um momento de “loucura”. Esse foi o meu”, explica o ex-policial.

Nesse mesmo período, o potencial da Itcase chamou a atenção de Cristhian Bernardes, empresário de lojas de roupas infantis multimarcas e CEO da Hug, uma tradicional indústria de artigos para bebês. Depois de conhecer o casal e sua paixão pelo negócio, Bernardes decidiu se tornar sócio da marca. Um tempo depois, junta-se à sociedade Felipe Sperandio,  que já atuou como diretor de operações em uma das principais redes especializada em aluguel de automóveis, a Localiza.

Sabendo do mercado competitivo em que atuava, Francis sempre se preocupou em buscar diferenciais para a marca. Além da “experiência Itcase” ao cliente, o portfólio de produtos é totalmente personalizado, os acessórios têm um ano de garantia, o design das capas de celular é exclusivo e o layout das lojas é totalmente atrativo. “Mesmo em um cenário difícil, no último ano abrimos seis unidades. Hoje, temos oito operações próprias e uma franqueada e deveremos faturar cerca de R$ 6 milhões em 2021”, afirma Francis.

Foram essas características que atraíram, em 2020, a 300 Franchising, maior aceleradora de franquias do Brasil, que passou a atuar na expansão nacional da Itcase. Com a expertise dos fundadores da holding, Leonardo e Leandro Castelo,  a rede planeja abrir 100 lojas ainda em 2021, chegando a um total de 300 nos próximos três anos.

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