O futuro do dinheiro em papel após o boom de novos meios de pagamentos

Pandemia impulsiona o uso de pagamentos virtuais e países, como o Brasil, fazem estudos sobre substituição do papel-moeda por moedas digitais. Entenda as diferenças entre as diversas modalidades

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A troca de um produto por outro, prática conhecida como “escambo”, era comum no período colonial, quando não havia sistema monetário no Brasil. Depois foi estabelecido o Réis, que era usado em Portugal, e circulou até 1942. No total, incluindo o Real que foi criado em 1994 e usamos até hoje, o país teve moedas.

Depois do dinheiro, surgiu o cheque e, então, passamos a utilizar os cartões de crédito e débito. Agora, com o avanço tecnológico, o mundo está experimentando a implementação do pagamento digital. Com o tempo, a tendência é que a presença deste tipo de transação financeira no mercado se torne efetiva a ponto de eliminar totalmente o dinheiro em papel.

O interesse pelo uso de pagamentos digitais na hora de comprar cresceu com a pandemia. Essa forma de pagamento se encontra presente em todas as faixas etárias e é utilizada por um terço da população, de acordo com o estudo Generation Pay, da Savanta, que realizou entrevistas com pessoas de 15 países, incluindo o Brasil. E, segundo a pesquisa do Capterra, houve aumento de 32% na frequência dos pagamentos digitais no país desde o começo da crise sanitária.

“Esse processo evolutivo financeiro pode, futuramente, resultar na extinção total do papel-moeda. A China, por exemplo, já está em teste para tornar sua moeda oficial em digital”, esclarece Isabelle Kwintner, diretora sênior de estratégia da fintech UzziPay.

Pagamentos digitais: conhecendo o “novo normal” da economia mundial

Mas, de fato, o que seriam esses “pagamentos digitais”? A denominação refere-se a pagamentos efetuados via internet. “Este se faz por meio de uma troca de dados, que pode acontecer, por exemplo, em uma plataforma online ou dispositivos móveis, como por exemplo, smartphones e relógios inteligentes”, afirma a diretora.

Entre as formas de realizar este pagamento digital, algumas podem ser destacadas. Umas por suas funcionalidades, que já estão caindo no gosto popular, como o Pix e o QR Code, e outras pelas pela praticidade, como é o caso do Pagamento Contactless. Para Isabelle, os principais destaques são:

PIX: Com aproximadamente seis meses no mercado o PIX é considerado um sucesso. De acordo com o estudo “Pix: o novo meio de pagamento brasileiro”, divulgado em maio pelo Banco Central (BC), 45% utilizou esse sistema.

Ele pode ser usado para pagamentos imediatos, podendo ser utilizado em diversas lojas, aplicativos e até mesmo em transações bancárias. A plataforma já contabiliza mais de 242 milhões de chaves cadastradas e 88,5 milhões de usuários, de acordo com o BC. O estudo ainda mostrou que as 1,5 bilhão de transações movimentaram mais de R$ 1,109 trilhão.

A modalidade PIX Cobrança será uma alternativa definitiva ao boleto. A novidade traz a possibilidade de agendar pagamentos, por exemplo, entre outras facilidades.

Uma consulta pública sobre duas novas modalidades foi aberta no dia 10 de maio. A primeira é o PIX saque que, como o nome já diz, será para retirada de dinheiro. A segunda novidade é o PIX troco associado a uma compra ou prestação de serviço. Os serviços estão previstos para chegar em agosto.

“O PIX veio para ficar mesmo, como mostra o estudo do Banco Central. Boa parte dos nossos clientes já aderiram essa modalidade”, afirma Kwintner.

QR Code: Atualmente, de acordo com a pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box sobre o comércio móvel, realizada entre março e agosto de 2020, o percentual de pessoas que já fizeram pagamentos via QR Code cresceu de 35% para 48%. E, ao menos uma parte disso, se dá pelo fato de que este recurso permite as mais variadas utilizações por empresas e profissionais autônomos.

Segundo a Caixa Econômica, mais de 3 milhões de estabelecimentos no Brasil estão habilitados a receber o pagamento por QR Code. Entre eles: supermercados, farmácias, comércio, entre outros tipos. Para isso, é necessário somente que ele tenha uma maquininha de cartão de crédito com suporte para o QR Code.

“O uso QR Code para pagamentos é muito prático e rápido. Toda transição deve durar uns 10 segundos. O empresário, por exemplo, pode reduzir os gastos com o operacional”, destaca a especialista.

Pagamento Contactless: a pandemia impulsionou o uso do pagamento por aproximação, que evita o contato direto. Caso tenha a tecnologia, que é representada por um símbolo de Wi-fi de lado, os cartões, as pulseiras e os relógios inteligentes podem ser utilizados nessa modalidade, assim como o smartphone, se você possuir carteira digital. Basta o consumidor aproximar o dispositivo na máquina do estabelecimento.

Segundo a Abecs, associação que representa as empresas do setor de meios eletrônicos de pagamento, essa modalidade foi usada 587 milhões de vezes no ano passado. Se comparado com 2019, o crescimento foi de 374%. O ticket médio chegou a R$ 70.

WhatsApp Pay: o objetivo é que os usuários consigam enviar e receber dinheiro pelo app de mensagem instantânea, por meio de cartões cadastrados. As transações podem ser realizadas, 24 horas por dia, 7 dias da semana. A estimativa é que, de início, será possível usar cartões de débito, ou que têm função de débito e de crédito.

Por enquanto, contas do WhatsApp Business não poderão receber pagamentos por produtos e serviços.

Conhecendo a “moeda digital”

As moedas digitais são uma versão digital do dinheiro emitido por Bancos Centrais dos países.

Em abril, a China já deu a largada na corrida pela digitalização da moeda. 100 mil pessoas foram convidadas a baixar um aplicativo para experimentar o yuan digital (e-CNY). Logo, o celular de cada pessoa se tornou uma espécie de carteira, podendo receber dinheiro sem necessidade de um intermediário.

Já no Brasil, em evento no mês de abril, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou que o estudo sobre a versão digital do real está avançando e terá novidades em breve.

Entendendo o conceito das criptomoedas

Criptomoeda é um tipo de dinheiro que só existem na internet. A tecnologia blockchain é responsável pela proteção da moeda. Um conjunto de blocos digitais checam todas as operações e os dados, como quem enviou, recebeu e a quantia.

A criptografia protege as transações, as informações e os dados de quem faz a operação. Ou seja, permite o anonimato. Não existe uma regulamentação. Sem Governo ou Banco Central que controle e fiscalize, os próprios usuários são os responsáveis.

A mais conhecida desse grupo é o bitcoin, criada em 2019 por Satoshi Nakamoto – que pode ser uma pessoa ou grupo. A quantidade de bitcoins é limitada, podendo ser emitidas 21 milhões de moedas no máximo. A lei da oferta e da demanda que determina seu valor.

“A evolução do dinheiro em papel e os métodos alternativos de pagamento digitalizados estão atrelados, e conectados, a um processo natural de evolução da sociedade, que visa colocar a tecnologia a disposição do homem a fim de oferecer: facilidade, praticidade e segurança em suas transações”, finaliza a diretora sênior de estratégia da UzziPay.

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