Por Diogo Lupinari *

Preparadas ou não, desde março de 2020 as empresas brasileiras precisaram se adequar rapidamente ao ambiente digital se quisessem manter a produtividade e, principalmente, a rentabilidade. Com a pandemia de covid-19 avançando em todo o mundo e a necessária recomendação de isolamento social para conter a doença, as organizações tiveram que adaptar processos ao mesmo tempo que seus clientes passaram a utilizar cada vez mais os canais on-line. Antes imaginado como futurístico, o conceito de transformação digital tornou-se realidade rapidamente – a ponto de muitas acelerarem essa digitalização.

É um assunto que realmente tirou os empresários da zona de conforto e os obrigou a adotar medidas rápidas. Uma pesquisa da ITTrends no Brasil mostra que nove em cada dez executivos (92%) reconheceram que a pandemia agilizou o processo de transformação digital em suas empresas. O cenário não é muito diferente no exterior. Levantamento global da consultoria IFS indica que 70% das organizações aumentaram ou mantiveram as despesas relacionadas à digitalização durante a pandemia, mesmo com toda a incerteza econômica provocada pela doença.

A questão é que muitos ainda pensam que transformação é simplesmente adotar inúmeras soluções tecnológicas em seus processos, esperando que num passe de mágica elas tragam o resultado esperado. É preciso desmitificar o tema. Transformação digital de verdade é o meio que uma empresa adota para criar um modelo de negócio ou reduzir despesas, ganhando eficiência operacional e produtividade a partir da adoção de tecnologia. Em suma: não basta contratar os melhores recursos; é preciso que elas se conectem e estejam alinhadas aos objetivos da companhia.

Dito isso, é preciso reconhecer que, no Brasil, existem empresas que ainda estão engatinhando na jornada de transformação digital. Havia organizações que não sabiam como iniciar esse processo de digitalização justamente porque não enxergavam o ambiente digital como prioridade em suas estratégias de negócios. Como o dia a dia passou a depender mais desses sistemas tecnológicos, finalmente passaram a ser percebidos como prioritários mesmo que de forma improvisada.

Em contrapartida, quem iniciou a transformação digital antes da pandemia de covid-19 e se mostra antenado às tendências tecnológicas do seu segmento demonstra melhor desempenho mesmo com o avanço da doença. São empresas que entendem a importância das soluções tecnológicas no dia a dia do negócio e conseguiram se adaptar à nova realidade provocada pelo novo coronavírus. Nos próximos meses, elas levarão esse modelo adiante, atraindo novos clientes e receitas.

Essa aceleração digital exige novos cuidados por parte dos empresários. Os processos internos podem estar alinhados e as soluções tecnológicas entregam o que prometem, mas há uma visão de todo o negócio? Os sistemas estão conectados e oferecem inteligência aos gestores? Há uma política clara de boas práticas em relação à tecnologia? É um próximo passo na estratégia. Só é possível acelerar a digitalização de um negócio quando as soluções estiverem interligadas entre si e, principalmente, entre a cultura e governança da empresa. É preciso garantir uma infraestrutura que dê escalabilidade e conte com APIs para realizar essa conexão sem prejudicar a operação.

A pandemia de covid-19 escancarou a necessidade de transformação digital no ambiente corporativo, e o que se vê atualmente são duas situações distintas. Enquanto uns ainda iniciam a jornada, outros se preparam para a acelerar a digitalização. Em ambos os casos, entretanto, é preciso ter planejamento, estratégia e, principalmente, parceiros que possam entregar inteligência tecnológica ao negócio.

*Diogo Lupinari é CEO e cofundador da Wevo, empresa especializada em integração de sistemas e dados  wevo@nbpress.com

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