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    O que está “rolando” com a Internet 5G no Brasil

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    Por Léo Andrade, referência em low-code e no-code no Brasil 

    A implementação da internet 5G deveria ser finalizada até setembro de 2022 em todas as capitais do Brasil. No ano passado, quando as operadoras de telecomunicações arremataram em leilão os direitos de exploração das faixas de frequência, ficou definida a exigência de que deveriam colocar no mínimo uma antena de 5G puro para cada 100 mil habitantes. Porém, apesar das determinações da Anatel, esse prazo foi estendido, pois, com mais de 12 milhões de habitantes, por exemplo, a cidade de São Paulo precisaria ter pelo menos 123 antenas de 5G neste ano.

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    O processo tende a se estender por questões de infraestrutura. Um estudo aponta que o Brasil precisa de mais de 1 milhão de antenas para ter uma cobertura nacional. Atualmente, são 103 mil transmissores. Além disso, a internet 5G enfrenta problemas nas cadeias de suprimento de implementos eletrônicos causados pela guerra da Ucrânia e dificuldades no financiamento de pesquisas. Outra questão é que, na prática, a Anatel ainda não pode atestar a qualidade do serviço prestado, dando margem para que o serviço não chegue ao potencial prometido pelo 5G.

    As empresas deveriam oferecer o chamado 5G standalone (SA), ou 5G puro. É uma tecnologia que oferece altíssima velocidade e baixa latência (demora entre o envio e o recebimento de uma informação), duas características fundamentais das redes móveis de quinta geração. Segundo a Anatel, por enquanto as empresas oferecem apenas o 5G DSS (Compartilhamento Dinâmico de Espectro, na sigla em inglês), uma combinação de frequências usadas no 4G que oferece velocidades maiores, mas sem as mesmas qualidades da versão “pura”. Hoje, há cerca de 60 municípios com essa tecnologia, que é acessada por quase 2 milhões de usuários.

    Existe, ainda, a questão de democratização do acesso, pois será necessário adquirir os equipamentos compatíveis com o 5G, que ainda são caros para a maior parte da população. Do mesmo modo como atualmente há necessidade de dispositivos móveis habilitados e homologados para o uso nas redes 4G, haverá a obrigatoriedade de posse de um dispositivo capaz de funcionar nas redes 5G para que delas se possa fazer uso.

    Outros aparelhos precisam ter seus chips trocados para usar o 5G puro, como o iPhone. A Apple já avisou à Anatel que seus aparelhos precisam de chips 5G para funcionarem em standalone. No entanto, há falta de chips no mercado. As teles ainda não lançaram planos que operam realmente com o 5G – a única operadora que separou as redes com planos próprios foi a TIM.

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    Outro obstáculo nessa difusão do 5G é a restrição legislativa em diversas cidades, impedindo a instalação de uma grande quantidade de antenas. A lentidão do legislativo e a falta de um corpo técnico tanto para atualizar normas quanto para integrar procedimentos de licenciamento e sistemas são apenas alguns pontos que justificam as dificuldades de alguns municípios em editar normas regulatórias para simplificar os procedimentos de instalação das antenas de telefonia e internet 5G, bem como a agilidade nos procedimentos de licenciamento local, em especial os relacionados ao uso e à ocupação do solo ou às diretrizes do Plano Diretor.

    O Ministério das Comunicações tem articulado bastante, trabalhando junto às prefeituras para que reduzam barreiras para instalação da infraestrutura necessária à tecnologia 5G. Embora sejam necessárias mais antenas, elas são bem menores que as torres tradicionais de comunicação, o que afeta muito pouco a paisagem das cidades de uma forma geral.

    Enquanto o prazo para implantação definitiva se estende, as empresas tentam ultrapassar obstáculos para a instalação da tecnologia. Apesar de todas essas dificuldades, a nova geração de internet pode agregar ao PIB cerca de US$ 1,2 trilhão até 2035, segundo levantamento feito pela Nokia.

    Não há dúvidas de que a quinta geração de dados móveis impacta, e muito, a transformação digital, permitindo o desenvolvimento de novas tecnologias que vão otimizar o setor produtivo e impactar significativamente o crescimento econômico do país e na vida das pessoas.

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