* Por Eduardo Volpato

 

Quantas vezes você já ouviu ou falou para si e para os outros “eu não sei vender”? Pode parecer clichê, mas essa é uma das frases mais ditas por quem ainda não se livrou das crenças limitantes.

Antes, vou esclarecer. Crenças limitantes são programações inseridas em nosso cérebro desde o nosso nascimento, com base em tudo que víamos, ouvíamos e sentíamos fosse por meio dos nossos pais biológicos ou substitutos, do meio em que vivemos como lar, escola, bairro etc. Sim, todas as experiências da nossa criação, desde quando nascemos, foram gravando aprendizados em nossa mente.

Nosso cérebro funciona como um HD, que vai sendo abastecido o tempo todo por gestos, conversas, sensações e sentimentos decorrentes da nossa convivência com os adultos e com o mundo externo. Vale a pena se perguntar: Quando você era criança presenciou que tipos de situação? Foi tratado com amor, carinho e compreensão ou foi criado dentro de um ambiente hostil? Quando falavam a seu respeito os feedbacks eram positivos ou negativos?

Quando se fala em autoestima, que tipos de palavras você ouvia? Eram encorajadoras ou desanimadoras a respeito do seu futuro?  Levantavam seu ânimo ou colocavam você para baixo? Enfim, tudo isso ficou gravado em sua memória.

No âmbito financeiro, também existem crenças limitantes de que dinheiro é algo ruim. Você já deve ter ouvido exemplos como “Gente rica não vai pro céu”; “Dinheiro não dá em árvore” e esse tipo de sentimento ruim que o dinheiro traz, faz com que as pessoas continuem vivendo com pouco, sempre no vermelho e fazendo novas dívidas a cada dia.

Em meus cursos, convido os alunos a fazerem uma reflexão sobre o quanto as limitações que sentem com sua maneira de enxergar a si mesmos e o mundo são reais ou imaginários, e geralmente a descrença em si mesmos é tamanha que pode ser considerada uma das maiores dificuldades que um ser humano precisa enfrentar e a grande causa de insucesso de alguns. Se as pessoas não acreditam em si mesmas, no potencial que têm, como podem acreditar na força do seu trabalho, da sua entrega. É aí que te pergunto: você sabe vender e se vender? Se a sua resposta é não, saiba que isso é uma crença limitante também, por isso, primeiro passo a partir de agora é tomar consciência disso e iniciar o seu processo de mudança de vida.

Saber vender muitas vezes causa a sensação de inferioridade por estar oferecendo algo a alguém e ser rejeitado. A primeira coisa é quebrar essa crença e entender que isso é fruto de sua imaginação, e sabe por quê? Porque todos nós estamos vendendo, e nos vendendo o tempo inteiro para todos aqueles que convivem como nós.

A arte de se vender começa logo de manhã pela maneira como você se arruma para sair de casa, como olha para as pessoas que cruzam seu caminho, pelas primeiras palavras que diz quando chega ao trabalho.

É isso mesmo, é preciso nos vender quando acordamos, mostrando ao parceiro que o queremos ao nosso lado dia após dia, encantando e oferecendo carinho diariamente. Essa é a forma de manter a conexão entre o casal e fazer com que a intimidade e o amor não se percam, vivendo apenas para pagar contas e criar os filhos, sem afeto e carinho.

Já com os filhos, devemos passar confiança a eles. Devem saber que estamos dando o melhor de nós para sermos pais presentes e que estamos dando as orientações necessárias para um crescimento saudável, com muito amor e responsabilidade. Então, qual é a imagem que você está passando para eles?

No âmbito profissional, costumo brincar dizendo que quem não sabe se vender tem que esperar ser “comprado” e quem se coloca nessa posição, acaba sendo comprado a qualquer preço. Vejo dezenas de profissionais extremamente competentes, preparados, com um potencial de entrega extraordinário, ficando para trás por não saberem se vender. Mesmo tão comprometidos perdem diversas oportunidades, pois deixam de mostrar que são muitos bons, principalmente, na hora de vender o próprio “peixe”.

E se eu digo tudo isso é porque eu mesmo não escapei desse sentimento de incapacidade e dos rótulos negativos quando era jovem. Tudo isso pode magoar e limitar de muitas maneiras a formação da personalidade, a autoconfiança e a autoestima.  Mas a virada de jogo é ressignificar essa crença de que você não sabe vender e se vender e entender que essa prática faz parte de nós, da nossa essência, inclusive do nosso ciclo de sobrevivência e, então, você terá as ferramentas para aprimorar essa arte e fazer dela um caminho para prosperidade e abundância. Não há para onde correr. É preciso trilhar o caminho.

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