Depois do PIX, o que esperar da fase de teste do Open Banking que começa no final de novembro

Entenda a revolução tecnológica que está mudando os rumos do setor bancário no Brasil

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Ao longo da última década, o segmento bancário vem passando por diversas transformações na sua forma de atuação, sempre priorizando a tecnologia como principal ferramenta. Depois do internet banking, vieram os aplicativos de bancos, que permitem fazer a maioria das operações da conta sem sair de casa e, por fim, os bancos 100% digitais, como as fintechs, sem agência física.

Segundo a Pesquisa de Tecnologia Bancária, realizada pela Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN), as transações por meio digital representaram 63% do total de R$ 89,9 bilhões de operações realizadas em 2019. Em abril de 2020, ano que foi marcado pela pandemia e isolamento social, esses números aumentaram e 74% das operações bancárias foi por meios digitais.

Essa transformação tecnológica no setor aumentou recentemente com o lançamento do PIX, pelo Banco Central (BC). A ferramenta garante a realização de transações financeiras, que demoram poucos segundos e que podem ser realizadas até mesmo por meio de smartphones. As transferências do PIX devem substituir soluções como os antigos DOC e TEC – que são meios mais caros de transferir dinheiro – e, podem ser feitas entre pessoas físicas gratuitamente. As operações via PIX também estão disponíveis para transações entre empresas e até o governo, mas estas modalidades possuem um custo, porém bem mais acessível do que DOC e TEC.

Depois do PIX, vem aí: Open Banking

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Outra novidade já anunciada pelo BC é o Open Banking, um sistema de compartilhamento de dados, informações e serviços financeiros, que é controlado pelos próprios clientes em plataformas de tecnologia. O objetivo é dar mais autonomia e controle da vida financeira aos próprios usuários, sendo possível inclusive receber ofertas de crédito de outros bancos, mesmo sem ter vínculo ou conta aberta.

Com essa novidade o objetivo é permitir ao usuário maior organização de seus dados financeiros em diferentes plataformas, utilizando uma única chave de acesso e determinando quais dados serão compartilhados com cada uma delas. É possível, inclusive, vincular um meio de pagamento a um determinado aplicativo de compras.

A chegada do Open Banking abre um horizonte de crescimento para o setor financeiro, incluindo as instituições como as fintechs que vêm ganhando muito espaço e relevância nos últimos anos. A solução aumentará o campo de atuação dessas empresas e tornará o mercado bancário/financeiro ainda mais digital.

Márcio Barnabé, Chief Marketing Officer da UzziPay, uma fintech que possui a proposta de preservar uma árvore na Amazônia a cada novo cliente, explica que a implementação do open banking deve começar no final desse mês, em 30 de novembro, de acordo com calendário divulgado pelo Banco Central. O sistema deverá seguir sendo implementado até meados de outubro de 2021, quando todas as fases do sistema deverão ser concluídas.

O especialista defende que a novidade do Open Banking será muito benéfica para o segmento. “Essa ferramenta dá o controle na mão do usuário de bancos e dá liberdade para que ele possa escolher onde as informações serão utilizadas e quais serviços ele vai contratar. Para as fintechs é uma oportunidade de chegar de vez e com mais força ao mercado”, diz.

Márcio afirma também que o Open Banking surge como uma oportunidade de fazer com que as fintechs expandam suas operações e tornem-se mais abrangentes, cada vez podendo atender aos clientes de maneira mais completa, como bancos clássicos, mas com o diferencial da tecnologia e modernidade nos serviços.

Segurança e comodidade

Pensado para simplificar a gestão financeira, que é uma dor de cabeça para muitas pessoas, o open banking possibilitará reunir todas as informações em um único aplicativo, com uma única senha, sem a necessidade de abrir todas as contas – para as pessoas que possuem mais de uma – e fazer um controle mais burocrático.

Através do sistema de API (Interface de Programação de Aplicativos), uma fintech pode desenvolver um aplicativo que sintetize todos os dados financeiros do cliente em um único lugar, atualizando tudo de maneira automática e com padrões de segurança bem estabelecidos.

O Chief Marketing Officer da UzziPay argumenta que o Open Banking é um conceito muito empolgante para todo o setor bancário, já que ele chega como um facilitador. Além disso, fintechs menores poderão começar a equilibrar e jogo e ter maior poder de concorrência com bancos tradicionais e já consolidados.

A proposta do Banco Central é justamente incentivar a competição no sistema bancário, pois, além de abrir portas para empresas novas que já nasceram com a veia tecnológica como principal vertente, faz com que os bancos tradicionais invistam em inovação e sistemas para modernizar o atendimento.

Dentre as vantagens do Open Banking, é possível citar:

  • Maior controle do cliente, que se torna o responsável pelo compartilhamento de suas informações financeiras;
  • Compartilhamento de informações e dados, de modo automático e seguro
  • Maior liberdade de concorrência e aperfeiçoamento do mercado;
  • Incentivo à modernização do setor bancário e ao desenvolvimento de gadgets inovadores;
  • Mais transparência na gestão de informações do cliente;
  • Customização de produtos e serviços a partir dos dados dos consumidores;
  • Mais opções de crédito e benefícios como redução de taxas e facilidade nas condições de pagamentos;
  • Organização de todos os produtos e serviços contratados pelo cliente em um único app;
  • Maior simplicidade no gerenciamento das receitas, despesas, dívidas e investimentos, favorecendo a saúde financeira dos usuários;
  • Maior igualdade entre empresas concorrentes, já que poderão acessar o histórico de diferentes consumidores;
  • Possibilidade de construir itens capazes de se integrar a diferentes sistemas.

A agilidade no processamento de um volume muito alto de dados será o grande diferencial, partindo da premissa que as fintechs já têm esse como um dos principais meios de administrar as informações dos usuários.

“É importante democratizar esses processos e fazer com que o cliente se sinta mais seguro e cada vez mais dono dos seus próprios dados, sem que se pareça com épocas antigas, onde ele estava preso ao seu banco e tinha que pagar multas para se desvincular. Hoje o cliente está no comando das informações, não o contrário”, finaliza Márcio Barnabé.

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