Relação das mulheres com as finanças mudou ao longo dos tempos

Especialista explica sobre a postura feminina quando o assunto são investimentos e como dar os primeiros passos para quem quer começar

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Mulheres têm encampado uma jornada por um universo que ainda é, majoritariamente, dominado por homens: o mercado financeiro. No Brasil, apenas 25,97% dos investidores da bolsa de valores são mulheres, enquanto no Tesouro Direto esse índice chega a 38,3%. Por mais tímida que seja a presença delas no mundo dos investimentos, ela é muito significativa para a emancipação feminina. Simone Sgarbi, a especialista em organização financeira pessoal do Investir, eu?, logo sentiu: “Por ainda ser um espaço em que homens são maioria, quando uma mulher resolve entrar no mercado financeiro, ela precisa provar muito mais do que é capaz”, relata.

Muito desse cenário se deve, principalmente, ao peso das raízes históricas e costumes de origem patriarcal, explica Simone: “Até 1962, as mulheres casadas precisavam de autorização para trabalhar, não podiam abrir conta em banco, ter estabelecimento comercial e nem viajar sem a autorização de seus maridos. Segundo dados do IBGE, ainda hoje, mesmo entre as mulheres que trabalham fora, a média de horas dedicadas aos afazeres domésticos e demais cuidados é, de 8,1 horas semanais a mais que homens atuantes no mercado de trabalho”.

A especialista também conta que o perfil de investidor é distinto como afirma estudo publicado pelos pesquisadores Barber e Odean: “Há diferenças no modo de investir dos homens e das mulheres. Elas investem pensando mais a longo prazo, daí até sua maior presença em investimentos no Tesouro Direto. Eles, por outro lado, são mais propensos ao excesso de confiança, especulam e se arriscam mais”, comenta.

Medo de investir?

Para quem fica aflito só de pensar no tema investimentos, o medo é compreensível, porém superável. “O ser humano tem aversão a perda, e todo investimento envolve risco. Segundo estudos divulgados pelos psicólogos Brad Klontz e Ted Klontz, no livro A Mente Acima do Dinheiro, a dor da perda é sentida com muito mais intensidade do que o prazer com o ganho, daí que, por aversão ao risco, muitas pessoas achem que é melhor não fazer nada do que perder alguma coisa, só que perdem, mesmo assim, oportunidades”, afirma a especialista em organização financeira pessoal.

O medo de investir vem do desconhecido. Por isso, para Simone Sgarbi, o jeito é dar um passo de cada vez: “a maneira de enfrentar o medo de investir é começar aos poucos, estudando um tipo de investimento por vez, até entender suas regras e como ele funciona.”

Como começar?

Investir não é algo restrito às elites de alto poder financeiro. “Qualquer pessoa com CPF e conta bancária pode investir. Existem títulos públicos do Tesouro Direto por menos de R$35, ações de boas empresas por menos de R$20, CDBS, que são títulos privados, a partir de R$1, e fundos imobiliários por menos de R$100. A constância é sua maior aliada. Melhor investir pouco todos os meses do que não investir nada”, diz Simone.

Para definir quanto da sua renda pode ser destinada ao mercado financeiro, a especialista recomenda: “Pelo menos 10% do seu rendimento líquido deve ir para os investimentos. Mas para construir uma vida mais saudável financeiramente, o ideal é que seu padrão de vida não ultrapasse 70% da sua renda. Isso dá uma margem de segurança para imprevistos e uma chance maior de acumular riqueza ao longo dos anos, investindo regularmente.”

Além disso, é preciso ter uma meta alinhada aos seus valores pessoais, até para que a escolha de investimento seja mais objetiva e acertada. Simone Sgarbi indica a análise de, pelo menos, três métricas sobre o investimento:

  1. Rentabilidade: Qual a rentabilidade que você quer alcançar com aquele investimento?
  2. Liquidez: Quando esse dinheiro estará disponível para você?
  3. Risco: Qual é o risco envolvido naquele investimento? Qual é a sua tolerância à perda?

Segurança também é algo muito importante aqui, afinal, trata-se de seu dinheiro: “O principal é sempre investir por corretoras autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários a CVM”, detalha a especialista.

Mãe, empreendedora, esposa e investidora?
Investir é fazer o seu dinheiro trabalhar para você. Então, mesmo com as múltiplas jornadas de trabalho que integram o dia a dia da mulher, há possibilidades de otimizar os processos, conforme as dicas de Simone Sgarbi: “Você pode já deixar programada uma TED mensal para a corretora de valores, e já deixar investimentos programados no Tesouro Direto, por exemplo. Também é possível fazer seus investimentos apenas uma vez por mês, e escolher no dia o que for melhor para cada uma das suas metas, ou investir por meio de fundos de investimentos, que são uma maneira simples de diversificar seus investimentos, sem que você precise fazer isso por si só.”

Contudo, no caso dos fundos de investimentos, esteja atento. “Ao investir neste tipo de produto você está delegando ao gestor do fundo o trabalho de investir seu dinheiro, mas mesmo nesse cenário é necessário a pesquisa sobre o fundo em si, ver como foi a rentabilidade dele nos últimos dois, três anos, ler o prospecto dele para saber onde vão investir seu dinheiro e quanto vão te cobrar por isso”, alerta a especialista, que complementa: “O importante é que você invista todos os meses, só assim você poderá cumprir aquela meta que sonhou para si.”

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