Como o Open Banking impulsiona novos modelos de negócios e democratiza os serviços financeiros

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Emanuela Ramos*

O Open Banking deu seus primeiros passos em território nacional em 1 de fevereiro. Com isso, esperamos que suas funcionalidades tragam maior democratização dos serviços financeiros, autonomia e poder de escolha ao cliente final. A ideia é que a população – de forma mais simples, transparente e rápida, tenha acesso a diversos produtos financeiros sem a trava ou limitação de exclusividade a uma única instituição.

O novo conjunto de regras do Sistema Financeiro Nacional será um acelerador para o surgimento de novos modelos de negócios do ponto de vista de inovação e co-criação, uma vez que um dos principais impulsionadores do Open Banking para as instituições financeiras será a complementaridade de suas ofertas, agregando serviços e produtos de outras instituições, criando assim marketplaces e até um novo ecossistema financeiro.

Nesse sentido, além de suas vantagens, a outra ponta do Open Banking deve proporcionar ainda mais para os clientes, com melhores experiências, jornadas mais intuitivas, simples e ao mesmo tempo sofisticadas, com mais personalização e ofertas customizadas de acordo com as reais necessidades.

Dentre os principais benefícios trazidos pelo Open Banking, posso destacar: 

1- Democratização do sistema financeiro nacional;

2- Transparência;

3- Autonomia;

4- Poder de compra;

5- Melhor experiência do usuário.

Fatalmente o Open Banking permitirá uma melhor integração de serviços, não só os proporcionados pelos bancos, mas os oferecidos por fintechs e carteiras digitais. Um ótimo exemplo desse cenário é o Reino Unido, que foi pioneiro no novo sistema financeiro baseado em Open Banking, seguido por Austrália e Índia. Nesses países vimos uma integralidade impressionante da carteira de produtos entre instituições financeiras.

Ainda, segundo a consultoria alemã Roland Berger, o impacto na receita dos bancos brasileiros com a chegada do Open Banking poderá ser de até R$ 110 bilhões, dessa forma eles estão trabalhando para melhorar a experiência do cliente, com base em alguns alicerces como transparência, agilidade e segurança e, principalmente, autonomia de produtos e serviços, que hoje em dia, são apontados como fatores desafiadores para entregar melhores experiências aos clientes. Por outro lado, os bancos terão mais vantagens ao se posicionarem com uma vasta oferta de produtos, podendo ser um cenário até promissor para aqueles que saírem na frente redesenhando seus modelos de negócios e inovando em suas cadeias de valores, conectando, por meio de parcerias, ofertas complementares em suas esteiras de serviços de acordo com seu público alvo.

Hoje, o poder de compra e autonomia do cliente brasileiro que, segundo o World Payments Report, tem no Brasil o quarto maior mercado na realização de transações sem dinheiro em espécie, ou seja, com produtos digitais, é ainda muito limitado. Mesmo com um volume alto de transações, as grandes empresas do setor não permitem que o cliente tenha liberdade de escolha entre serviços de várias instituições, limitando consideravelmente o poder de compra.  Por isso, com a implementação do Open Banking no país, esperamos mais autonomia para as pessoas escolherem seus produtos financeiros.

Um cliente poderá, por exemplo, ter um empréstimo pessoal contratado de um banco A e um cartão de crédito sem anuidade, contratado por um banco diferente, ou mesmo uma fintech, e assim por diante. Tudo de maneira simples e rápida, trazendo mais transparência e base comparativa para escolha.

Esse movimento ainda levará a uma outra mudança, a implementação de sistemas orientados ainda mais para a User Experience, focados na melhor experiência possível para o cliente, seja ele de baixa ou alta renda, já que agora eles estarão mais atentos às inovações e podem optar por novas interfaces financeiras, que se adequem melhor às suas necessidades.

Surgirão novos modelos de negócios bancários e, ainda que seja prematuro dizer, isso poderá ser um grande impulsionador da democratização do sistema financeiro do País, uma vez que os bancos e as carteiras digitais começam a popular mais sua base de clientes e a conhecer melhor esse público, tangibilizando novos desenhos de produtos ou créditos específicos para mais e mais pessoas, atrelados à uma experiência enriquecedora para seus clientes.

Com essa observação de cenário e com base em mecanismos de inteligência de negócios e sociais, é possível usar o Open Banking como uma cascata de benefícios, estimulando um atendimento personalizado e humanizado para cada pessoa. Outro ponto para observar é o nível de educação financeira em nosso país. Sem dúvida, essa ainda é uma lacuna que precisa ser mais trabalhada e com o open banking, as pessoas também poderão precisar de mais apoio neste aspecto, surgindo então a oportunidade para que os bancos e fintechs entreguem soluções que ajudem as pessoas. Na jornada de evolução das tecnologias, a mudança de visão em relação às reais necessidades de cada um é essencial para alavancar negócios e garantir que cada vez mais pessoas tenham acesso a essas novas oportunidades.

*Emanuela Ramos é Executive Vice President, responsável pelo setor de Financial Services na NAVA Technology for Business

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