Por Marcos Farias*

A adoção da quarentena para reduzir o contágio pelo novo coronavírus acabou por consolidar o movimento, que já vinha sendo adotado por muitas companhias, de opção pelos treinamentos corporativos a distância como forma de reduzir custos. Se no primeiro momento da pandemia empresas chegaram a cancelar os cursos presenciais agendados, as capacitações virtuais se tornaram a solução encontrada por elas para manter essas atividades de grande importância para o bom desempenho em um mercado competitivo e em crise.

Uma outra mudança começa a acompanhar a consolidação do ensino a distância: a alteração na carga horária diária. Antes da pandemia era comum haver classes com até oito horas de treinamento por dia, mas agora o formato está sendo reduzido para três ou quatro horas. O motivo é que, sem creches em funcionamento e com avós precisando ficar distantes, muitos pais necessitam dedicar mais tempo ao cuidado dos filhos pequenos.

No entanto, pode-se afirmar que a busca por treinamentos está maior e deverá crescer, tornando-se cada vez mais virtual. O motivo é que há uma série de tecnologias voltadas à redução de custos por meio da utilização da chamada computação em nuvem. E, para operar esses sistemas com o maior ganho possível, é preciso capacitar suas equipes para as ajudar a recuperar mais rapidamente o ponto de equilíbrio financeiro.

Uma grande vantagem dessas tecnologias é que não requerem um grande investimento inicial para ter uma infraestrutura de TI compatível com suas necessidades. Isso ocorre porque elas operam em um modelo no qual o investimento inicial é diluído em um custo mensal proporcional à utilização dos recursos.

Por exemplo, em vez de comprar 100 servidores para hospedar e atender bem ao pico de acesso em um grande site que normalmente vai passar a maior parte do tempo ocioso, é possível optar por servidores na nuvem, que são cobrados somente pelo tempo em que estiverem ligados. Assim, se em determinado momento do dia o número de acessos é pequeno, é possível ter, eventualmente, apenas dois servidores ligados. Mas, à medida que os acessos aumentam, mais servidores são incorporados ao pool.

Fazendo uma analogia rudimentar, não usar a computação em nuvem é como construir uma usina hidrelétrica para abastecer a sua casa, que na maior parte do tempo está com lâmpadas e aparelhos elétricos desligados, em vez de consumir a energia fornecida pela distribuidora de eletricidade. E, salvo alguns segmentos específicos do mercado e outras exceções, a maioria das empresas não precisa ter a própria usina.

Em paralelo, há também tecnologias que ajudam organizações a aumentarem suas receitas, graças ao melhor entendimento do perfil e das necessidades dos clientes proporcionado por essas soluções. São os famosos big datamachine learning, IoT, data analytics – empregados nos mais diversos setores.

Isso tudo tem um componente de otimização de recursos financeiros, humanos e de recursos muito relevante em uma economia funcionando normalmente, mas que em um cenário de grave crise econômica adquire contornos ainda mais expressivos. É preciso ressaltar que as mudanças tecnológicas avançam em um ritmo frenético no mundo corporativo. Por isso, se uma companhia não se atualizar, certamente alguém no mercado o fará – pode ser um concorrente atual ou mesmo um novo. Trata-se, pois, de uma questão de sobrevivência.

*Marcos Farias é CEO e sócio-fundador da Arki1, empresa de treinamento especializada em Google Cloud, certificada pela gigante do Vale do Silício, que em 2019 a escolheu como Google Cloud Authorized Training Partner of the Year na América Latina. arki1@nbpress.com.

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